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Quando imaginamos cenas de um recife de corais tropical é fácil preencher a visão com imagens de organimos que possuem zooxanthelas (ou seja, animais que recebem nutrientes de certos dinoflagelados que residem dentro deles) que nós aquaristas somos mais familiarizados.
Apesar disso, existem muitos tipos de criaturas que podem ser encontradas nesses ambientes, e elas possuem uma enorme gama de dietas. Muito frequentemente, espécies “muito difícieis” de se manter definham e morrem em tanques que não são alimentados simplesmente devido a fome. Se forem corretamente alimentadas, muitas dessas espécies poderiam ser facilmente mantidas no aquário ao lado de seus companheiros de tanque que possuem zooxanthelas.
Oferecendo uma quantidade adequada de fitoplâncton com um tamanho de célula adequado para cada perfil nutricional, esses animais fitoplanctívoros podem prosperar em qualquer aquário, adicionando interesse, beleza e autenticidade a esses ambientes.
A “microalga dourada” (Golden-brown) Isochrysis pode ser certamente classificada dentre esses fitoplânctons que são exelentes alimentos para aquários. Atualmente existem relativamente muitos registros sobre seu uso. Um grande número de aquaristas descobriram que ela é um alimento adequado para grupos de animais altamente desejados como moluscos bivalves (vieiras de fogo, ostras espinhosas, etc). Ela é amplamente usada em instalações de aquicultura ( em sua maioria de mariscos e alguns criadouros de camarão). Como comida para estoque de cria, larvas e estoque de crescimento. Ela é usada como comida para animais filtradores que estão se tornando cada dia mais comuns.
A espécie dourada fitoflagelada Isochrysis (por vezes chamada por alguns aquaristas somente de “Iso”) é classificada como:
Filo: Prymnesiophyta
Classe: Prymnesiophyceae
Ordem: Isochrysidales
Família: Isochrysidaceae
Gênero: Isochrysis
O gênero é compreendido por espécies marinhas de vida livres unicelulares e flageladas haptófitas. Ela deriva de três espécies, nomeadas I. galbana, I. litoralis e I. maritima. Todas elas se reproduzem por simples fissão da célula mãe, dando origem a duas células filhas separadas. Enquanto as últimas duas espécies possuem formas bênticas, a primeira é exclusivamente de hábitos pelágicos, se tornando a melhor escolha como alimento para animais que se alimentam de partículas em suspensão.
A morfologia da célula é principalmente esférica com um tamanho aproximado que varia entre 3 a 8 microns. A célula pode ser coberta com uma mucilagem (as vezes relativamente grossa). Seu cloroplasto em forma de xícara é excepcionalmente grande, ocupando mais de um terço do volume corporal da célula. Frequentemente existe um único “olho” vermelho. A célula é altamente móvel, com um par de flagelos que se projeto do final da célula. O nado é helicoidal, padrão espiral. Fisicamente elas lembram muitas diatomáceas plantônicas, exceto pelo fato que não possuem a concha protetora de sílica (frústula) comum nessas espécies. Alguns agrupam a espécie Isocrysis como a similar e intimamente relacionada Tisochrysis lutea, uma microalga ovoide e flagelada que mede de 4 a 6 microns de diâmetro.
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| Isochrysis vista em microscópio |
Como outras crisófitas, a Isochrysis é capaz de construir reservas de gorduras e óleos. Isochrysis é rica em ácidos graxos poli-insaturados como o ácido docosahexaenóico (DHA), ácido estearidônico e ácido alfa-linolênico. A composição de Ômega 3 dessa alga é frequentemente superior a 22% do teor total de ácidos graxos (a chamada cepa do Taiti de Isochrysis é conhecida por ser especialmente rica em DHA). Por essa razão é frequentemente usada para enriquecer alimentos zooplantônicos vivos (como rotíferos, copépodes artêmias, etc.). Ela também vem sendo usada com sucesso para alimentar as demandas de muitos corais fitoplantônicos como as Dendronephthya.
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| Coral da espécie Dendronephthya |
Devemos ter cuidado para distinguir entre dois diferentes tipos de cepas de Iso com os nomes de Isochrysis galbana e Isochrysis aff. Galbana uma da outra, a primeira (que foi desenvolvida por aquicultores japoneses para águas quentes) é conhecida por ter um teor de lipídeos total significantemente maior do que a última.
Muitas vezes, devido a sua alta concentração de DHA, I. Galbana é utilizada como componente de alimentos concentrados de Fitoplâncton (ou blends). Esses alimentos “prêmium” são frequentemente emparelhados com Nannochloropsis (que é alta em EPA mas possui pouca concentração de DHA). Além disso possuem altas concentrações de vitaminas (vitamina A, B1, B2, B6, C, E, ácido fólico , ácido nicotínico, ácido pantotênico, etc.) Essas vitaminas essenciais desempenham um grande papel na saúde em geral, incluindo fatores como saúde do olho, desenvolvimento larval e taxas de crescimento. Isochrysis é também uma boa fonte de amino ácidos como a Leucina, Lisina e Alamina, Com cerca de 45 calorias por 10 mililitros de biomassa, está o mesmo nível de outras microalgas comumente utilizadas em termos de produção de energia metabólica.
Possivelmente não surpreendentemente, culturas puras e densas dão uma tonalidade marrom dourada a olho nu. Como a maioria das outras crisófitas, Isochrysis é rica no pigmento xantofila fucoxantina. Esse é o mais abundante pigmento e é tipicamente produzido em altas concentrações (em torno de 18 miligramas por grama de alga drenada). Ela é também rica nos pigmentos Clorofila-a, Clorofila-c,
luteína, β-caroteno, zeaxantina e cantaxantina. Esses pigmentos podem ser passados através da cadeia alimentar (por exemplo, copépodes). Portanto, sua presença em peixes e invertebrados pode ter um impacto significante na colocação desses animais.
Usada como um suplemento alimentar, deve ser adicionada em uma quantidade que mal tinge a água do aquário, essa nuvem irá rapidamente se dissipar à medida em que as algas são consumidas pelos animais filtrantes do aquário. Enquanto permanecer suspensa na coluna de água do aquário, Isso vai ajudar a remover o excesso de nutrientes como nitrato e fosfato da água. Ela pode crescer debaixo de uma ampla gama de intensidades da luz (2500 – 10000 lux). Ela prefere temperaturas tropicais e salinidades típicas do mar, então ela tende a florescer em aquários convencionais (antes de ser comida é claro).
Claramente, existem muito mais razões pelas quais Isochrysis está entre as algas favoritas pelos aquaristas e aquacultores por tanto tempo. Ela prospera sob uma ampla variedade de parâmetros da água e níveis de iluminação. Seu tamanho médio das células é aceitável para várias e diversas espécies fittoplanctívoras. Ela contém altos níveis de ácidos graxos essenciais como o DHA assim como vitaminas e pigmentos intensificadores da cor. Seu teor altamente calórico e riqueza de importantes amino ácidos faz com que a Iso seja uma saudável parte de qualquer dieta de crescimento. Quando nutricionalmente complementada, em um cuidadoso blend de diferentes espécies de fito pode se transformar em um poderoso mix de Fitoplânctons vivos. Ao utilizar Iso viva, os aquaristas podem até manter em seus aquários animais de recife que de outra forma nunca seriam capazes de manter!
Texto original retirado de: https://www.algaebarn.com/blog/phytoplankton/isochrysis-the-microalgal-reef-aquarium-superfood/
Imagens retiradas de: https://alchetron.com/Isochrysis-galbana



