Hipótese: Dada a textura fibrosa, seu sistema radicular e a estrutura sólida das Rhizophoras (que chamaremos daqui pra frente de talos de mangue); eles podem captar e remover mais nutrientes do que as espécies de macroalgas que conhecemos?
Introdução:
Inverter o fotoperíodo para a fotossíntese do refúgio é muito popular. É uma prática comum colocar macroalgas que possuem propriedades de extração de nutrientes nesses locais. Mais recentemente temos visto o incentivo para o uso também de talos de mangue para a mesma função. Talos de Mangue são considerados excelentes para extração de nutrientes.
Além do que eles tem outros aspectos benéficos além das macroalgas que incluem: estabilidade (não soltam esporos durante a reprodução – Caulerpas são perigosas nesse sentido) falta de componentes químicos, requerem pouco espaço para crescer, proporcionam uma boa estrutura física para outros organismos e removem ao invés de reciclar nutrientes. apelo estético, fácil de podar e taxas de crescimento rápidas.
Objetivo
O propósito desse estudo são basicamente dois: Primeiro os investigadores procuraram comparar o “peso seco” (que representam a extração de Nitrogênio e Fósforo) de talos de mangue e macroalgas. Segundo, o projeto foi designado para medir exatamente os nutrientes, com ênfase em comparações úteis e terminologias para aquaristas marinhos.
Revisão de Literatura
Muitos estudos tem se focado nos limites do crescimento de algas em sistemas de aquários baseados nas taxas de remoção de Nitrogênio e Fósforo (Rosenberg e Ramus 1981, Rosenberg e Ramus 1982, Lapointe et al. 1987, Littler et al. 1991, Lapointe et al. 1992, Smith & Buddemeier 1992, Fong et al. 1994,) Um estudo importante e norteados nessa área analizou a taxa de Nitrogênio e Fósforo no tecido das algas (Larned 1998). Estes estudos são a base de muitos projetos anteriores e posteriores ao desse autor (Blundell 2003).
Estudos anteriores em sistemas de cativeiro ou em aquários são difíceis de entender ou de pouco uso para aquaristas domésticos. A principal razão para esse essa dificuldade é que esses estudos oferecem medidas em gramas/dia ou gramas / polegada linear ou peso seco / metro quadrado que são difíceis para aquaristas domésticos entenderem. Esse projeto foi uma tentativa do autor para resolver esses enigmas.
Procedimento
Os pesquisadores pediram doações de algas e talos de mangue a aquaristas locais. Os doadores foram instruídos a doar uma “mão cheia” de algas. Enquanto isso pode soar cientificamente pobre, é o para os aquaristas é um termo bem conhecido. Portanto os dados reais são estimados, mas generalizações certamente foram feitas.
As amostras de algas (uma “mão cheia”) e talos de mangue foram recebidos. Todas as amostras foram secas e depois pesadas. Essa medida é um passo de controle e não será usada na análise final. Então as amostras foram colocadas em sacolas laminadas previamente pesadas. Nota: os talos de mangue foram primeiro cortados em partes, divididos em caules, raízes e folhas. As sacolas foram então cozidas a 180 ºC por seis horas.
Depois desse tempo as sacolas foram congeladas e então pesadas novamente. Isso pode permitir a pesagem do “peso seco” das amostras. Os conteúdos de cada sacola foram então retirados e pesados separados das sacolas (que também foram pesadas novamente como controle). Os pesos anteriores das amostras foram então comparados com os atuais e eram idênticos em tamanho.
Tabela
Conclusão
Nesse estudo, descobrimos que uma “mão cheia” de Chaetomorpha e Caulerpa contém 5,7 gramas e 2,59 gramas de peso seco respectivamente. No talo de mangue (medindo 43cm e com seis folhas) pesa 10,3 gramas de peso seco. Se um aquarista doméstico conseguir crescer uma “mão cheia” de macroalgas em seu sump todo mês, isso corresponde a 34,2 gramas de Chaetomorpha e 15,54 gramas de Caolerpa. O que corresponderá a crescer 3 plantas de mangue inteiras comparando com a Chaetomorpha ou 1,5 planta de mangue no caso da Caolerpa. E isso tudo no mesmo tempo e no mesmo aquário!!! Esse tipo de crescimento para as algas é comum, mas para os talos de mangue não tem precedentes. Portanto nossa hipótese estava errada e foi refutada nesse estudo. O ponto de vista seguido pelo autor é que o talo de mangue pode ser útil para os aquários, mas que em termos e extração de nutrientes eles são muito inferiores do que as macroalgas.
Referências
- Blundell, A. (2003) Measurement of macroalgae dry weights. Reef Ramblings 2003: 1-3.
- Fong, P., Donohoe, R.M., Zedler, J.B. (1994) Nutrient concentrations in tissue of the macroalga Enteromorpha sp. as an indicator of nutrient history: an experimental evaluation using field microcosms. Mar Ecol Prog Ser 106: 273-282.

- Lapointe, B.E., Littler, M.M., Littler, D.S. (1987) A comparison of nutrient-limited productivity in macroalgae from a Caribbean barrier reef and from a mangrove ecosystem. Aquat Bot 28: 243-255.
- Lapointe, B.E., Littler, M.M., Littler, D.S. (1992) Nutrient availability to marine macroalgae in siliciclastic versus carbonate-rich coastal waters. Estuaries 15: 75-82.
- Larned, S.T. (1998) Nitrogen- versus phosphorus-limited growth and sources of nutrients for coral reef macroalgae. Marine Biology 132: 409-421.
- Littler, M.M., Littler, D.S., Titlyanov, E.A. (1991) Comparisons of N- and P-limited productivity between high granitic islands versus low carbonate atolls in the Seychelles Archipelago: a test of the relative-dominance paradigm. Coral Reefs 10: 199-209.

- Rosenberg, G., Ramus, J. (1981) Ecological growth strategies in the seaweeds, Gracilaria folifera (Rhodophyceae) and Ulva sp. (Chlorophyceae): the rate and timing of growth. Botanica mar 24: 583-589.
- Rosenberg, G., Ramus, J. (1982) Ecological growth strategies in the seaweeds, Gracilaria folifera (Rhodophyceae) and Ulva sp. (Chlorophyceae): soluble nitrogen and reserve carbohydrates. Mar Biol 66: 251-259.
- Smith, S.V., Buddemeier, R.W. (1992) Global change and coral reef ecosystems. A Rev ecol Syst 23: 89-118.




